O dólar fechou a semana cotado a R$ 5,42, acumulando alta de 3,8% no mês de julho. A depreciação do real não é um fenômeno isolado — moedas de economias emergentes em geral perderam valor frente ao dólar no período — mas o Brasil teve um desempenho pior do que pares como México e Chile.
Os três fatores principais
O primeiro fator é o diferencial de juros. Com o Federal Reserve mantendo os juros americanos em patamar elevado, o fluxo de capital para economias emergentes diminuiu. Investidores estrangeiros preferiram ativos americanos, que oferecem retorno alto com risco soberano mínimo.
O segundo fator é a incerteza fiscal doméstica. Rumores sobre mudanças no arcabouço fiscal e dúvidas sobre o cumprimento da meta de resultado primário aumentaram o prêmio de risco exigido pelos investidores para manter ativos brasileiros. Isso se refletiu tanto no câmbio quanto nos juros futuros.
O terceiro fator é o fluxo comercial. A balança comercial brasileira continua superavitária, mas o volume de exportações em julho ficou abaixo do esperado, reduzindo a oferta de dólares no mercado à vista.
O que esperar para os próximos meses
Economistas consultados pelo CapitalHoje divergem sobre a trajetória do câmbio no segundo semestre. O consenso do Boletim Focus aponta para o dólar a R$ 5,30 no fim de 2025, mas a dispersão das projeções é alta — o que reflete a incerteza do cenário.
Para o investidor pessoa física, a mensagem prática é: não tente prever o câmbio. Se você tem dívidas em dólar ou despesas futuras em moeda estrangeira, considere fazer hedge. Se não tem, a exposição cambial deve ser parte de uma estratégia de diversificação, não de especulação.