O governo federal divulgou na semana passada que o resultado primário do primeiro semestre ficou R$ 12 bilhões acima da projeção inicial. A melhora foi impulsionada principalmente por receitas extraordinárias de dividendos de estatais e pela arrecadação de IR sobre fundos exclusivos, medida aprovada no fim de 2023.
Com o resultado, o governo projeta fechar 2025 com déficit primário próximo de zero — dentro da banda de tolerância do arcabouço fiscal, que permite resultado entre -0,25% e +0,25% do PIB.
Por que os economistas pedem cautela
A melhora do primeiro semestre é real, mas economistas apontam que parte das receitas extraordinárias não se repete no segundo semestre. Dividendos de estatais, em particular, são concentrados no início do ano. Sem esses recursos, o governo precisará de receitas tributárias robustas para fechar o ano no azul.
Outro ponto de atenção é a despesa. O crescimento das despesas obrigatórias — previdência, benefícios sociais e funcionalismo — continua acima da inflação. O arcabouço fiscal permite crescimento real de despesas de até 2,5% ao ano, mas o ritmo atual está próximo desse limite.
O que isso significa para os mercados
A percepção de que o governo está no caminho certo para cumprir a meta fiscal é positiva para os ativos brasileiros. Juros futuros recuaram após a divulgação dos dados, e o câmbio teve uma melhora pontual. Mas o mercado ainda exige prêmio de risco elevado, o que sugere que a credibilidade fiscal ainda não está totalmente consolidada.
Para o investidor, o cenário fiscal é um dos fatores que influenciam a taxa de juros de longo prazo — e, portanto, o valuation de ações e o preço de títulos prefixados. Um fiscal mais sólido tende a reduzir os juros longos, beneficiando esses ativos.